Estava agora há pouco no bar da Puc com alguns amigos. Diferente dos tempos de USP quando as conversas no bar sobre os rumos do turismo no Brasil me irritavam um pouco, adoro o papo entre futuros psicólogos que adquire um quê de interpretação psicológica. Invariavelmente o que é trazido à tona acaba de uma forma ou de outra se remetendo à nossa própria experiência e sempre surgem ao menos alguns pensamentos bem interessantes dessas “análises” regadas à cerveja. Adoro!
Dessa vez, entre outros tópicos, falávamos de amor e como nem sempre o primeiro amor representa O grande amor ou, em oposição a isto, como usualmente o último amor é o que representa O grande amor. No caso do primeiro, exatamente por ser primeiro, por representar a experimentação de um conjunto de sensações e vivências até então nunca vividas e no caso do segundo, pelo último amor vivido ser a última referência de uma relação. A conclusão a que chegamos – que, de fato, não tem nada de genial ou inovadora – é que, na verdade, o fator cronológico é o de menor relevância, pois no caso do primeiro amor ao vivermos outros amores percebemos que cada experiência amorosa significativa é composta por um sem número de sensações e vivências nunca antes experimentas ou re-significadas; e, no caso do último amor, a referência deve-se primordialmente à impossibilidade de viver plenamente uma nova história em decorrência de elaborações do luto decorrente da perda daquele amor ainda necessárias de serem feitas. Ou seja, a identificação dO grande amor talvez não seja possível e, de fato, o que vivamos seja sempre uma sucessão de grandes amores, cada um especial por si próprio. Isso aliás, parece muito mais interessante. Pois, qual poderia ser o objetivo de tal categorização? Afinal, se O grande amor está no passado, seja o primeiro, uma história recém-terminada ou qualquer outro entre essas histórias, vê-lo dessa forma, provavelmente irá apenas limitar nossa capacidade de amar novamente e enxergar a experiência presente como um possível grande amor, deixando melancolicamente presa no passado uma alegria que poderia ser experimentada aqui e agora e ainda amanhã. Mas se o que julgamos como O grande amor está sendo vivido no momento, então que valha a categorização e seja ele de fato nosso grande amor, para que com tal definição o vivamos de maneira plena.
Falávamos também sobre a transformação pela qual passamos após o término de uma relação – onde deixamos de ser dois para ser um e a descoberta de quem de fato é esse um e todas as oportunidades que daí advêm. A perda propicia a apropriação de um espaço de auto-reflexão que havia se perdido na fusão com o ser amado. Pois em quem ama, "o eu solitário questionador (e a concomitante angútia do isolamento) se dissolve no nós"* e "a pessoa se livra da angústia, mas perde a si mesma"*. Apesar de toda a dor do rompimento de uma possibilidade conjunta de ser, uma separação representa um sem fim de oportunidades de descobertas de quem se é e de quem se quer ser tanto sozinho quanto com uma nova possibilidade de ser compartilhada que se apresente no futuro. Esse processo de descoberta é muito bonito e repleto de aprendizado, podendo inclusive contribuir positivamente para a valorização das experiências passadas como componente essencial de quem se é pós-separação, ajudando a elaborar a perda e construir um presente e uma perspectiva futura mais satisfatórios e, conseqüentemente mais feliz. Uma vez que o ressentimento, as frustrações e o sofrimento são deixados ali em um cantinho qualquer, esse caminho se abre e a vida acontece de uma maneira provavelmente inimaginada até então, permitindo que se viva mais um grande amor.
Dessa vez, entre outros tópicos, falávamos de amor e como nem sempre o primeiro amor representa O grande amor ou, em oposição a isto, como usualmente o último amor é o que representa O grande amor. No caso do primeiro, exatamente por ser primeiro, por representar a experimentação de um conjunto de sensações e vivências até então nunca vividas e no caso do segundo, pelo último amor vivido ser a última referência de uma relação. A conclusão a que chegamos – que, de fato, não tem nada de genial ou inovadora – é que, na verdade, o fator cronológico é o de menor relevância, pois no caso do primeiro amor ao vivermos outros amores percebemos que cada experiência amorosa significativa é composta por um sem número de sensações e vivências nunca antes experimentas ou re-significadas; e, no caso do último amor, a referência deve-se primordialmente à impossibilidade de viver plenamente uma nova história em decorrência de elaborações do luto decorrente da perda daquele amor ainda necessárias de serem feitas. Ou seja, a identificação dO grande amor talvez não seja possível e, de fato, o que vivamos seja sempre uma sucessão de grandes amores, cada um especial por si próprio. Isso aliás, parece muito mais interessante. Pois, qual poderia ser o objetivo de tal categorização? Afinal, se O grande amor está no passado, seja o primeiro, uma história recém-terminada ou qualquer outro entre essas histórias, vê-lo dessa forma, provavelmente irá apenas limitar nossa capacidade de amar novamente e enxergar a experiência presente como um possível grande amor, deixando melancolicamente presa no passado uma alegria que poderia ser experimentada aqui e agora e ainda amanhã. Mas se o que julgamos como O grande amor está sendo vivido no momento, então que valha a categorização e seja ele de fato nosso grande amor, para que com tal definição o vivamos de maneira plena.
Falávamos também sobre a transformação pela qual passamos após o término de uma relação – onde deixamos de ser dois para ser um e a descoberta de quem de fato é esse um e todas as oportunidades que daí advêm. A perda propicia a apropriação de um espaço de auto-reflexão que havia se perdido na fusão com o ser amado. Pois em quem ama, "o eu solitário questionador (e a concomitante angútia do isolamento) se dissolve no nós"* e "a pessoa se livra da angústia, mas perde a si mesma"*. Apesar de toda a dor do rompimento de uma possibilidade conjunta de ser, uma separação representa um sem fim de oportunidades de descobertas de quem se é e de quem se quer ser tanto sozinho quanto com uma nova possibilidade de ser compartilhada que se apresente no futuro. Esse processo de descoberta é muito bonito e repleto de aprendizado, podendo inclusive contribuir positivamente para a valorização das experiências passadas como componente essencial de quem se é pós-separação, ajudando a elaborar a perda e construir um presente e uma perspectiva futura mais satisfatórios e, conseqüentemente mais feliz. Uma vez que o ressentimento, as frustrações e o sofrimento são deixados ali em um cantinho qualquer, esse caminho se abre e a vida acontece de uma maneira provavelmente inimaginada até então, permitindo que se viva mais um grande amor.
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*YALOM. Irvin. O carrasco do amor. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007. página 19.
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