23.7.08

deixa o vento soprar

Há alguns tipos de pessoas que me surpreendem quando se trata de relacionamentos. Não no sentido da inverossimilhança de suas atitudes, mas da minha própria incapacidade de sentir ou agir de maneira semelhante.

O primeiro são as pessoas que namoram simplesmente por namorar. O segundo são aquelas que namoram porque não vivem bem sozinhas e só terminam uma relação quando começam outra onde cada amor é sempre o grande amor da vida. E o terceiro é o grupo dos que se envolvem com a primeira pessoa um pouco mais interessante que aparece para esquecer um amor recém-perdido.

Em comum aos três casos e determinante da minha incapacidade de agir tal qual é o fato de que pra mim, amor assim não é amor. É qualquer outra coisa como uma paixão, um flerte ou comodismo resultante de baixa auto-estima, de não se conhecer e/ou não querer se conhecer ou qualquer outra motivação cunhada em complexos psicológicos que fazem sentido sob o ponto de vista único do indivíduo que assim age.

Amar para mim não é algo corriqueiro que vem exclusivamente suprir determinada falta. Eu acredito na mágica de que o amor acontece sem mais nem menos e ouvem-se sininhos e sentem-se borboletas no estômago. E quando a conexão acontece, “sopra tanto vento que veleja por si”. Sem que se namore só para ter alguém para fazer companhia na ida semanal ao cinema, sem que aconteça uma traição, sem que se insista em conhecer alguém ainda com a lembrança de outrem no coração, sem que seja necessário “forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras”. Quando o vento sopra, as velas e o vinho simplesmente acontecem e só nos damos conta quando subitamente notamos que a vida ganhara trilha sonora. Simples e raro assim.

Pena que normalmente, como a realidade não é roteiro de comédia romântica, o vento pára. E se o vento não sopra, não veleja por si.

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