28.10.10

porque tudo muda o tempo todo

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e agora eu era



photo by http://www.liekeromeijn.nl/

29.5.09

do recomeçar e replanejar


Eu estava toda animada, bem nesse espírito aí, pronta pra me jogar e veio AQUELA ducha de água fria. E toca refazer planos, rever expectativas, assimilar a frustração. Nessas horas fica tudo tão nebuloso que até sentimentos do passado que pareciam superados voltam com força tão presentes quanto se fossem a primeira vez que são sentidos. Vem aquela melancolia e uma vontade de desaparecer num eterno pôr-do-sol à beira-mar. Dá saudade de um tempo que no fundo nem era tão bom assim e o sono é perturbado e os sonhos, literalmente, invadidos.


Sonhei que eu ia para a Psico, primeiro dia de aula e quando eu chego vejo que reformaram a faculdade, mudaram o acesso às salas. O caminho ficou tortuoso, cheio de voltas e incidentes geográficos. E eu ando, vou e volto, tropeço, caio, até conseguir entrar no caminho certo. Ao mesmo tempo vejo alguns amigos seguindo com facilidade e felizes. Não estou triste no sonho, mas tenho um comportamento que combina resignação com abnegação e esperança. Apesar das dificuldades, sigo procurando um caminho no sonho e, felizmente, termino por encontrá-lo. Não poderia existir um retrato mais perfeito do momento que vivo hoje.


Ainda assim, me sinto tomada por uma sensação de impotência e irrelevância. Sozinha em minhas escolhas, em meus planos, na vida. Sei que é passageiro e que logo recuperarei a energia necessária a toda a reorganização iminente, mas... queria sonhar que posso voar.

3.2.09

Falou e disse!

Ex-problema, ex-crotice, ex-coliose mental

do blog Controle Remoto

Em março deste ano, dei fim a um relacionamento de 3 anos e 6 meses. Deu-se então um período de desintoxicação, regado a shots de tequila, zoação absoluta, resgate do passado, busca dos sonhos deixados de lado, reencontros importantes e muito, muito videogame com coca-cola. Hoje, quase 9 meses depois, ficou a gigantesca e inteligente lição: Ex é uma merda.

Não a pessoa em si, mas o invólucro, o tabu, a personagem. Pra começar, nos primeiros meses você percebe que pelo menos uma vez por noite, em rodas de amigos, solta a maldita frase: “Ah, a minha ex…”. Pára, respira, pensa e continua: “Que morra sem os membros”.
Racionaliza então que o ser humano é capaz de sentir mais de um milhão de coisas a respeito de uma única pessoa. Dor, mágoa, saudade, amor, raiva, frustração, decepção, angústia, tesão e vontade de bicar-lhe a cara. Tudo em um intervalo de 5 segundos. Começa então uma guerra, denominada de “quem supera primeiro”.

Os mais fracos, imediatamente encontram amores tapa-buraco, fingem ter superado, até mesmo acreditam, mas entram em prantos à sombra de qualquer lembrança e torcem para nunca encontrar o outro na rua.Os fortes, sofrem. Choram, socam a parede, dormem vinte e três horas por dia, tomam leite sem açúcar, ficam 5 dias sem tomar banho, 20 sem fazer a barba, pedem cafuné da mãe, vomitam, mas superam de verdade.O que é a cura, sem dor?Imagine como seria cômodo ao ser humano, no máximo da gripe, simplesmente colocar uma regata e ir pra chuva cantar e gritar ao mundo que está saudável. Retardado? Masoquista? Iludido? Fraco.

Por isso, o conselho que deixo, de quem se reestabeleceu no topo, é: Sofram. Mas curem-se por completo.Parece besteira romancista, inutilidade sem sentido, mas todos passarão por isso. E provavelmente você fará muita cagada no processo. Assim como eu, seu filho, sua tia, whatever.Minha ex, hoje, é um passado distante, sem interferência em meus sentimentos, aconteça o que acontecer.

Torço por sua satisfação assim como torço para a de um colega. Descobri, solteiro, uma felicidade jamais experimentada, com conquistas que antes figuravam apenas em meus sonhos mais distantes. Minha satisfação com a vida é plena, saudável e extremamente positiva.E quando chegar sua hora de passar por tudo isso, torço para que consiga seguir os caminhos certos, sem agir com falsidade e hipocrisia em relação a si próprio. Pois, se for o caso de seguir como um fraco, quem sabe, pode acabar casando com um reles tapa-buraco.A insegurança guia o homem para precipícios eternos.Você é maior que isso.

3.12.08

100% feliz

A teoria da amiga é a seguinte. Tudo vai muito bem, obrigada. Emprego bacana com uma remuneração razoável, trabalho desafiador, chefe ok. Família maravilhosa, muito unida, sem brigas, muito presente e apoiadora. Dos amigos então, nem se fala. Todos divertidos, interessantes que estão sempre ali para o que der e vier. Ainda por cima, verão chegando, muita praia, muito sol, muita alegria. A única mais ou menos é o quesito relacionamento amoroso – que parece nunca dar certo e só trazer sofrimento. Então, o plano é excluir da vida esse quesito. Se ele passa a não ser um componente para uma vida feliz, pronto, atinge-se com facilidade 100% de felicidade. E o que fazer com a libido? Direcionar a energia acumulada para outros fins e implementar o projeto de viver uma vida espiritualmente elevada – sem as delícias, mas também sem os sofrimentos dos prazeres mundanos.

Que tal?

15.10.08

do amor ao primeiro beijo

Existe. Aquele momento em que parece que o mundo se resume à sua vida e aquela outra vida ali unida à sua, revelando uma possibilidade de amor*. Vocês mal se conhecem, mas isso não importa porque de fato esse é um detalhe quase imperceptível. Um pequeno gesto, uma palavra, um esboço de uma história, tudo remete a algo comum ansioso por ser vivido e compartilhado. E o beijo quando acontece tangibiliza essa iluminada possibilidade, misturando uma vida na outra, tornando real a sensação de intimidade até então somente aparente (ou latente). E da mesma forma que a sensação é inenarrável, qualquer lógica pré-existente se desfaz e não se pensa, se sente. O mundo torna-se fluido e o restante é só vontade. Uma vontade que caminha por si. Uma vontade que veleja e leva a história a perpetuar e faz acontecer o amor.

23.7.08

deixa o vento soprar

Há alguns tipos de pessoas que me surpreendem quando se trata de relacionamentos. Não no sentido da inverossimilhança de suas atitudes, mas da minha própria incapacidade de sentir ou agir de maneira semelhante.

O primeiro são as pessoas que namoram simplesmente por namorar. O segundo são aquelas que namoram porque não vivem bem sozinhas e só terminam uma relação quando começam outra onde cada amor é sempre o grande amor da vida. E o terceiro é o grupo dos que se envolvem com a primeira pessoa um pouco mais interessante que aparece para esquecer um amor recém-perdido.

Em comum aos três casos e determinante da minha incapacidade de agir tal qual é o fato de que pra mim, amor assim não é amor. É qualquer outra coisa como uma paixão, um flerte ou comodismo resultante de baixa auto-estima, de não se conhecer e/ou não querer se conhecer ou qualquer outra motivação cunhada em complexos psicológicos que fazem sentido sob o ponto de vista único do indivíduo que assim age.

Amar para mim não é algo corriqueiro que vem exclusivamente suprir determinada falta. Eu acredito na mágica de que o amor acontece sem mais nem menos e ouvem-se sininhos e sentem-se borboletas no estômago. E quando a conexão acontece, “sopra tanto vento que veleja por si”. Sem que se namore só para ter alguém para fazer companhia na ida semanal ao cinema, sem que aconteça uma traição, sem que se insista em conhecer alguém ainda com a lembrança de outrem no coração, sem que seja necessário “forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras”. Quando o vento sopra, as velas e o vinho simplesmente acontecem e só nos damos conta quando subitamente notamos que a vida ganhara trilha sonora. Simples e raro assim.

Pena que normalmente, como a realidade não é roteiro de comédia romântica, o vento pára. E se o vento não sopra, não veleja por si.

8.4.08

doce lembrança

Deparei-me hoje com duas frases que trouxeram à tona uma doce lembrança de um ex-amor:

"Na verdade, a memória do casal tornou-se uma só recordação. Ininterrupta. Perdas, festas, intimidade, risos, suspiros, brincadeiras, dores, superações, tudo está junto. Misturado. A tal ponto que Stefan talvez tenha inserido Eliza em suas fotos de infância. Encontrou um jeito de fazê-la participar de toda a sua história. A tal ponto que Eliza talvez tenha colado a figura de Stefan no seu álbum de fotografias de pequena. Quando se ama alguém, ama-se a vida inteira daquela pessoa. Inclusive o que não se viveu."*

"Desde a primeira vez que assisti "Brilho eterno de uma mente sem lembranças", fiquei deslumbrado com a personagem do Jim Carrey tentando esconder a personagem da Kate Winslet nas memórias da infância dele, desejando não esquecer/perder seu amor!"**

Uma amiga me contou que certo dia, estava na casa desse ex-amor e ao perguntar quem era aquela menininha de uma foto que havia no mural dele ao lado de uma foto dele mesmo quando pequeno, a resposta veio carregada de simplicidade: "é a Bia... nós brincávamos juntos quando éramos crianças".

Foi a declaração de amor mais singela e bonita que já recebi, eu acho. Foi também a mais indireta o que, em última instância até aumenta o seu valor - se considerarmos que as circunstâncias que rodeavam aquela relação não favoreciam tais demonstrações sinceras a pessoas outras que não nós dois. É uma pena que tenha vindo tão tarde...

Diferente da lembrança da nota abaixo, essa não veio dissociada de sentimento. Nela reside uma saudade. Mas não um saudade comum ou qualquer. Uma saudade que, assim como a lembrança, também é doce.
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* Fabricio Carpinejar. Texto: Meu primeiro matrimônio.
** Wesley Stutz . Em comentário ao texto citado acima.

7.4.08

nota

Meu coração por muito tempo cismou em não querer esquecer alguém que fez muita questão de me esquecer usando o, na minha opinião covarde, artifício da negação. Qual não foi minha surpresa outro dia ao perceber que uma certa lembrança dessa pessoa veio tão somente no meu pensar COMPLETAMENTE DESNVICULADA do meu sentir, do coração. Fato raro e sensação esquisita essa. Boa porque preconiza uma liberdade extremamente necessária em mim, mas paradoxalmente triste, pois significa que o tiquinho de saudade que ainda está presente deixará de existir... Mas que seja de fato assim. Almejo ter espaço pra sentir outras saudades, afinal, mistério sempre há de pintar por aí...

30.3.08

do grande amor

Estava agora há pouco no bar da Puc com alguns amigos. Diferente dos tempos de USP quando as conversas no bar sobre os rumos do turismo no Brasil me irritavam um pouco, adoro o papo entre futuros psicólogos que adquire um quê de interpretação psicológica. Invariavelmente o que é trazido à tona acaba de uma forma ou de outra se remetendo à nossa própria experiência e sempre surgem ao menos alguns pensamentos bem interessantes dessas “análises” regadas à cerveja. Adoro!

Dessa vez, entre outros tópicos, falávamos de amor e como nem sempre o primeiro amor representa O grande amor ou, em oposição a isto, como usualmente o último amor é o que representa O grande amor. No caso do primeiro, exatamente por ser primeiro, por representar a experimentação de um conjunto de sensações e vivências até então nunca vividas e no caso do segundo, pelo último amor vivido ser a última referência de uma relação. A conclusão a que chegamos – que, de fato, não tem nada de genial ou inovadora – é que, na verdade, o fator cronológico é o de menor relevância, pois no caso do primeiro amor ao vivermos outros amores percebemos que cada experiência amorosa significativa é composta por um sem número de sensações e vivências nunca antes experimentas ou re-significadas; e, no caso do último amor, a referência deve-se primordialmente à impossibilidade de viver plenamente uma nova história em decorrência de elaborações do luto decorrente da perda daquele amor ainda necessárias de serem feitas. Ou seja, a identificação dO grande amor talvez não seja possível e, de fato, o que vivamos seja sempre uma sucessão de grandes amores, cada um especial por si próprio. Isso aliás, parece muito mais interessante. Pois, qual poderia ser o objetivo de tal categorização? Afinal, se O grande amor está no passado, seja o primeiro, uma história recém-terminada ou qualquer outro entre essas histórias, vê-lo dessa forma, provavelmente irá apenas limitar nossa capacidade de amar novamente e enxergar a experiência presente como um possível grande amor, deixando melancolicamente presa no passado uma alegria que poderia ser experimentada aqui e agora e ainda amanhã. Mas se o que julgamos como O grande amor está sendo vivido no momento, então que valha a categorização e seja ele de fato nosso grande amor, para que com tal definição o vivamos de maneira plena.

Falávamos também sobre a transformação pela qual passamos após o término de uma relação – onde deixamos de ser dois para ser um e a descoberta de quem de fato é esse um e todas as oportunidades que daí advêm. A perda propicia a apropriação de um espaço de auto-reflexão que havia se perdido na fusão com o ser amado. Pois em quem ama, "o eu solitário questionador (e a concomitante angútia do isolamento) se dissolve no nós"* e "a pessoa se livra da angústia, mas perde a si mesma"*. Apesar de toda a dor do rompimento de uma possibilidade conjunta de ser, uma separação representa um sem fim de oportunidades de descobertas de quem se é e de quem se quer ser tanto sozinho quanto com uma nova possibilidade de ser compartilhada que se apresente no futuro. Esse processo de descoberta é muito bonito e repleto de aprendizado, podendo inclusive contribuir positivamente para a valorização das experiências passadas como componente essencial de quem se é pós-separação, ajudando a elaborar a perda e construir um presente e uma perspectiva futura mais satisfatórios e, conseqüentemente mais feliz. Uma vez que o ressentimento, as frustrações e o sofrimento são deixados ali em um cantinho qualquer, esse caminho se abre e a vida acontece de uma maneira provavelmente inimaginada até então, permitindo que se viva mais um grande amor.
..........
*YALOM. Irvin. O carrasco do amor. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007. página 19.

26.2.08

preâmbulo

Esse espaço surgiu da vontade de fazer um antigo espaço ganhar cara nova. Basicamente porque eu não estava lá muito satisfeita com os rumos que aquele espaço estava tomando. Então, deixei só alguns textos e pequenas elocubrações por ali. Não quero apagá-lo de vez, pois considero importante manter o registro do que foi aquele momento em que ele surgiu - algo como um mini memorial de algumas reminiscências. Se passo por lá e releio um ou outro post (publicado ou nos rascunhos), consigo bem ou mal, refletir sobre minha vida - quem sou, quem quero ser, se e como evolui (conforme meu conceito pessoal de evolução ainda em fase de construção e elaboração). É exatamente isso que busco nesse novo espaço: mais reflexão - sobre mim, a vida, as pessoas, o mundo.

Escrevo principalmente para mim mesma, mas, visto que esse é um veículo aberto em sua essência, terei em última instância um público ainda desconhecido de interessados e/ou curiosos. Alguém poderia dizer que se quero escrever para mim deveria fazê-lo em um caderno particular. Entretanto, utilizar um blog tem um significado peculiar na minha história. Refletir e tornar públicas tais reflexões representam também um exercício de autenticidade e de aprender a lidar com o julgamento alheio, pois imaginar que qualquer pessoa pode ler o que se apresenta aqui escrito é ao mesmo tempo instigante e assustador - como escrevi no primeiro texto do antigo espaço. Utilizar um blog representa ainda uma oportunidade de troca e crescimento advinda dos comentários dos eventuais leitores e, também, da experiência em si, uma vez que estando em constante transformação e elaboração podemos estar a todo momento vivenciando um aprendizado.

Esse espaço vem, portanto, procurar tornar um pouco mais tangíveis as diversas possibilidades de ser.